Paco – do abandono ao amor

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Ilustração: Ana Margarida Miranda

– Paco, Paco – chamou a cadela Rebeca – Tu não comes?

Paco não respondeu. Levantou as orelhas e olhou-a em silêncio.

– O que tens Paco? Há dois dias que não te ouço ladrar! Estás doente?

– Não!

– Se não comeres já, as moscas vão invadir-te a comida!

– Não tenho vontade! – respondeu ele, com o olhar perdido num qualquer ponto imaginário.

– Mas o que tens Paco?! – insistiu Rebeca – Estás triste? Bateram-te outra vez?

– Não, não me bateram, mas há palavras que doem mais que as pancadas!

– Olha-me este! – interveio o Rato que acabara de chegar – Deixa-te mas é de filosofias baratas e come! Se levasses com um pau nos costados como eu levo às vezes não falavas assim. E se não comes tu como eu!

O Rato atirou-se ao prato dos restos comendo com vontade.

– Ah, que bela refeição! Mas afinal o que é que te disseram? – questionou ele. – Há dois dias que não te ouço ladrar!

Paco olhou os amigos e dos seus olhos correram duas grossas lágrimas.

– E como posso eu ladrar se ninguém se lembrou de me dar água? Esta coleira sufoca-me e não suporto o calor!

– Oh Paco, não chores! – pediu Rebeca! – Conta-nos o que te aconteceu! (…)

in Paco – do abandono ao amor, Ana Mafalda Damião

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