Escrita curativa – o poder da escrita na transformação pessoal

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A escrita, enquanto terapia de cura, surge documentada há relativamente pouco tempo mas, já nos finais do século XIX Joseph Brauer, colaborador de Sigmund Freud, falava no potencial de cura que as pessoas poderiam alcançar através da narrativa, do facto de poderem falar das suas vidas de forma desinibida. Brauer denominou esta técnica de talking cure – curar falando. Este método seria posteriormente adotado por Freud para desenvolver as suas teorias e técnicas de psicanálise.

Embora já tenha passado bem mais de um século, só há pouco tempo a escrita curativa começou a ganhar importância.

Para isso, muito contribuíram as investigações desenvolvidas por James W. Pennebaker, (considerado um dos pioneiros da terapia através da escrita) desde finais dos anos 80.

Pennebaker partiu da ideia de que inibir os acontecimentos traumáticos produz níveis elevados de stress que, por sua vez, potencia ou acelera processos psicossomáticos que fragilizam o sistema imunitário e prejudicam a saúde.

Numa investigação iniciada em 1983, com a sua colaboradora Sandra Beall, analisou a relação entre a escrita e a saúde psíquica e física.

Desse estudo concluíram que o impacto da escrita refletida, sobre sentimentos e acontecimentos traumáticos era bastante significativo e através de exames médicos conseguiram provar que a saúde dos pacientes em análise se mantinha em melhor estado do que a dos outros.

Na continuação desta investigação, Pennebaker descobriu que todos aqueles que enfrentavam os seus traumas enquanto escreviam, desenvolviam uma congruência entre as ondas de actividade dos dois hemisférios cerebrais e que isso fazia com que os seus ritmos cardíacos desacelerassem e os músculos relaxassem. Este processo energiza os linfócitos T pelo que o sistema imunitário se reforça e os organismos tornam-se mais capazes de lutar contra a doença.

Mais tarde, Hans Selye, médico e investigador, descobriu quais os mecanismos biológicos activados pelo cérebro numa situação de stress e a sua influência nas hormonas que fazem parte de doenças como a artrite, as tromboses, hemorragias cerebrais, problemas digestivos, musculares…

Utilizando a escrita para relacionar traumas e emoções faz com que se possa controlar, reduzir e até mesmo eliminar o stress e as suas consequências para a saúde.

Em 1966, o psicólogo norte-americano, Ira Progoff, aluno de Carl Jung, tinha já criado um método que denominou de Diário Intensivo, no qual os pacientes praticavam uma auto psicoterapia, desenvolvendo a sua criatividade num diário pessoal. Em 1975, com a publicação da sua obra “At a Journal workshop: writing to access the power of tha unconscious and evoque creative ability”, o método popularizou-se.

Nos últimos anos têm sido feitos alguns estudos, em especial no Reino Unido e nos Estados Unidos da América, que provam que doentes que sofrem de hipertensão, Alzheimer, artrite, asma, cancro… melhoram a sua atividade cerebral e do sistema límbico.

Atualmente existem várias correntes e técnicas de escrita curativa, das quais destacamos:

– Logoterapia – desenvolvida por Viktor Frankl, psiquiatra, consiste num método que se orienta para descobrir o sentido da vida.

A logoterapia convida-nos a tornarmo-nos conscientes da nossa liberdade de escolha e a assumi-la de forma responsável.

– Terapia narrativa – criada pelos psicólogos Michael Wite e David Epston, parte do princípio de que cada pessoa é especialista da sua própria vida por isso, é prioritário ter em conta as histórias que elas contam sobre si mesmas. Os problemas são entendidos como consequências do significado que as pessoas dão aos acontecimentos vividos e da forma como organizam as suas vidas. Isto pressupõe que todo o ser humano é capaz de mudar a sua relação com os problemas.

– Conto terapêutico – desenvolvido pela psicoterapeuta Paola Santagostino, parte da ideia de que os contos (escritos pelos pacientes), possuem arquétipos e desenvolvem uma situação psicológica. Interpretá-los permite entender os processos interiores, as dificuldades, os conflitos, os problemas físicos e, ao mesmo tempo, desenvolver as competências, já latentes no indivíduo, que lhe permitirão curar-se.

Acreditamos que a escrita contribui significativamente para libertar tensões, ordenar o caos emocional, diminuir o stress e, consequentemente, reforçar o sistema imunitário. Tudo isto nos permite uma melhoria não só nas relações com os outros e connosco mesmos, como também na saúde e na qualidade de vida.

A escrita permite-nos transformar a nossa vida.

in Escrita Curativa – o poder da escrita na transformação pessoal, Ana Mafalda Damião, Edições Mahatma

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